A Arte de Ter Razão traz, já no título, uma provocação. A razão é apresentada como resultado de artifícios, ou seja, está do lado de quem detém maiores recursos de argumentação. O aprofundamento nos estratagemas propostos por Schopenhauer para se vencer uma disputa, torna a obra em questão uma leitura divertida por um lado e angustiante por outro. Divertida pelo reconhecimento de nós mesmos em situações semelhantes. Angustiante por percebermos que o poder se consolida nas mãos daqueles que melhor articulam as palavras em proveito próprio.
O espetáculo é um jogo, uma disputa, uma sucessão de embates retóricos em torno de uma situação proposta. Os atores transitam pelas duas teses em conflito. Articulam seus estratagemas, todos eles extraídos da obra de Schopenhauer com o único objetivo de arrancar de seu adversário a razão, seja ela qual for. Tarefa das mais estimulantes: brincar a partir da fragilidade da razão em um mundo predominantemente organizado e regido por ela.