Manoel Prazeres, autor

Cotidianamente, somos sugados para dentro de uma encenação coletiva, na qual praticamos um enorme esforço para parecermos todos cordiais e civilizados. Um dos principais elementos desta encenação é a nossa firme crença em estarmos sendo justos ou imparciais quando estamos diante de um conflito intelectual. Apenas aparentemente, ouvimos e respeitamos os argumentos contrários, defendemos os nossos e buscamos o equilíbrio ou a verdade. Mais profundamente, nossa vaidade trabalha para que nossa proposição seja reconhecida como a verdadeira, pouco importando se não é.

A Arte de Ter Razão, o livro de Schopenhauer, tem o sabor de um manual de auto-ajuda deliciosamente organizado para os incréus ou, mais precisamente, para aqueles que não se furtam em puxar a brasa para a própria sardinha. A Arte de Ter Razão, a peça, é um jogo que propõe uma boa gargalhada como remédio eficaz para convivermos melhor com mais esse pecado tão próprio do ser humano.